quinta-feira, 8 de setembro de 2011

UMA MULHER CONTRA A MONSANTO

A jornalista francesa Marie-Monique Robin veio ao Brasil para promover seu manifesto contra a Monsanto. Mas será que ela tem mesmo razão?


LEONARDO ATTUCH


No mês de dezembro, um furacão francês passou pelo Brasil. A ativista Marie-Monique Robin, premiada em seu país por reportagens investigativas, veio divulgar o lançamento de seu polêmico livro, chamado O Mundo Segundo a Monsanto, que deu origem a um documentário com o mesmo nome. Nele, a jornalista M2R (é assim que ela abrevia sua identidade) denuncia uma espécie de conspiração mundial, promovida pela multinacional norte-americana, para dominar a cadeia global de alimentos através das sementes geneticamente modificadas. Os transgênicos, segundo ela, seriam um dos maiores crimes jamais cometidos contra a humanidade. "Os agricultores brasileiros devem rapidamente abrir seus olhos, porque esses produtos, mais cedo ou mais tarde, serão banidos", disse M2R à DINHEIRO. O maior alvo da escritora francesa é a soja Roundup Ready, desenvolvida pela Monsanto, que é resistente aos herbicidas à base de glifosato, como o Roundup. "Comer transgênicos é o mesmo que dar inseticidas às nossas crianças", diz ela.
PULVERIZAÇÃO COM HERBICIDAS:
autora francesa condena uso de agrotóxicos no campo
O livro tem prefácio escrito pela exministra do Meio Ambiente Marina Silva, que, no governo, perdeu a batalha que se travou em torno do tema. A esse respeito, M2R se diz "desapontada" com o presidente Lula por ter permitido a entrada da soja RR por meio do contrabando. Ela se refere à chamada "soja Maradona", que cruzou a fronteira da Argentina com o Rio Grande do Sul e depois se disseminou pelo País. Antes de partir de volta para a França, ela ainda se encontrou com o governador do Paraná, Roberto Requião, que proibiu o cultivo de transgênicos no seu Estado. "No longo prazo, a história lhe dará razão", diz ela.
Filha de agricultores, M2R diz ter escolhido o tema em razão de sua ligação com os verdadeiros "homens da terra". Mas há um ponto no seu próprio livro, em que ela narra o fascínio que os agricultores americanos tiveram ao travar o primeiro contato com sementes modificadas. Um desses produtores, John Hofman, de Iowa, lhe disse que a conquista da Monsanto foi avassaladora por uma razão simples: produtividade. Segundo Hofman, depois da primeira aplicação do Roundup, já era possível fazer o plantio direto da soja, o que evita a erosão do solo. "Isso me economiza tempo e dinheiro", disse ele.
Hoje, a maioria das sementes de soja cultivadas nos grandes países produtores, como Estados Unidos, Brasil e Argentina, é geneticamente modificada. Segundo a jornalista francesa, isso é fruto da desinformação. Mas e quanto ao fato de os agricultores decidirem voluntariamente plantar transgênicos? O que os pais de M2R fariam se fossem agricultores no Brasil ou nos EUA?
MARIE-MONIQUE ROBIN: jornalista é filha de agricultores e diz defender os "homens da terra
Para isso, a escritora não tem uma resposta totalmente convincente. Ela diz apenas que, no futuro, eles serão recompensados pelos preços melhores a serem pagos pelas sementes convencionais. O problema é que, no mundo inteiro, inclusive na França, agricultores são espremidos por margens baixas e têm como horizonte a próxima safra. Portanto, ganhos de produtividade são sempre bem-vindos.
Alvo da fúria da jornalista francesa, a multinacional americana decidiu não nomear um porta-voz para responder aos ataques. Divulgou apenas uma nota oficial, criticando um documentário que "visa denegrir a imagem da Monsanto", com acusações que "há muito tempo já foram descartadas por renomados cientistas internacionais". Segundo a empresa, o livro e o documentário seriam apenas uma arma daqueles que visam combater a biotecnologia agrícola e o progresso científico.
Alheios à polêmica, o mais provável é que os agricultores continuem cultivando sementes geneticamente modificadas, devidamente liberadas pelas autoridades sanitárias (cuja isenção a jornalista francesa põe em dúvida), enquanto isso estiver gerando mais produtividade e um retorno econômico adequado para os homens da terra. Simples assim.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A GAZETA DO MACAPÁ DIVULGA FOTOS DE PRESOS PELA PF

 Seis dos 36 presos pela Polícia Federal na Operação Voucher foram brindados com uma cota extra de constrangimento.

Do Josias de Souza

Depois de submetidos às algemas da PF, tiveram vazadas as fotos tiradas no momento da identificação no Iapen (Instituto de Administração Penitenciária) do Amapá. As imagens foram parar na primeira página do diário ‘A Gazeta’, de Macapá. “Dos gabinetes de Brasília às celas do Iapen”, eis o título que adorna a notícia. Os presos são exibidos com o torso nu. Seguram cartazes com a própria identificação.
Entre os detidos cujos rostos foram parar no jornal estão três nomões: O secretário-executivo do ministério, Frederico da Silva Costa…

…o secretário de desenvolvimento de projetos turísticos, Coubert Martins, ex-deputado do PMDB da Bahia…
…E o ex-presidente da Embratur e ex-secretário-executivo do ministério Mário Moyses, petista do grupo da senadora Marta Suplicy (SP).

Se o governo considerava as algemas abusivas, a exibição das fotos há de ser vista como abuso ainda maior.
- Atualização feita às 22h14 desta sexta (13): Dilma Rousseff considerou inaceitável a divulgação das fotos.
O ministro José Eduardo Cardoso (Justiça) pediu providências ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

FILME SERVIO SUSPENSO PELA JUSTIÇA GERA DEBATE SOBRE RETORNO DA CENSURA



CENSURADO - Sem assistir a uma cena sequer do filme, um grupo composto por pelo menos 15 pessoas - entre elas marqueteiros, políticos, advogados e juízes - conseguiu suspender por tempo indeterminado, em todo o Rio de Janeiro, a exibição do longa-metragem "A Serbian film - Terror sem limites", a primeira e polêmica obra do diretor sérvio Srdjan Spasojevic. A medida causou indignação no meio cinematográfico e levou 150 pessoas às portas do Cine Odeon, no último sábado, para protestar contra o veto.



 fonte: O Globo

quarta-feira, 6 de julho de 2011

VEJAM POR QUE AS FERROVIAS NO BRASIL NÃO VALEM A PENA




'Esta claro pra todo mundo que o transporte sobre trilhos é um dos meios mais eficazes de locomoção de pessoas, produtos, cargas e etc. A maioria dos paises desenvolvidos (pra não dizer todos) utilizam trens divididos em categorias, que sao: pequena(metros dentro da cidade), media (de cidade pra cidade) e longa distancia (de estado pra estado).

E reparei que todos paises que usam esses sistema, tem muito turismo interno, ja que custa pouco e vc precisa chegar com 5 minutos de antecedencia nos trens (de cidade pra cidade, ou de estado pra estado), e faz uma viagem relativamente confortavel e agradavel, não precisa de toda uma burocracia de aeroporto, alem do mais ja é uma viagem turistica em si. Li uma noticia dizendo que esse ano em muitos paises, as viagens em trem ultrapassaram as de avião.

Não vejo nenhuma noticia negativa em relacao a trens que cobrem todo um pais. Todos os finais de semana, vejo que tem gente que vem da outra parte do pais so viajando de trem, gente de outros paises, gente que vem de cidade pequena e de trem conheceu outra cidade pequena e vive la. A impressão que tenho é que com trem o pais literalmente muda. Quando usados como transporte de carga é um dos meios mais efetivos de transporte.

Queria ajuda dos amigos que sabem do assunto. Agora que o Brasil esta crescendo, porque não forrar ele de linhas de trens? E bota o povo, tudo e todos pra circular internamente? Projeto fake de trem de alta velocidade no Brasil, entre os destinos os trens fazem paradas em cidades menores. (bem que podia ser verdade)



" fonte: Hardmob

terça-feira, 21 de junho de 2011

SERGIO CABRAL, EMPRESÁRIOS E UMA TRAGÉDIA


O acidente com o helicóptero pilotado pelo empresário Marcelo de Almeida, no sul da Bahia, na sexta-feira (17), evidenciou as relações delicadas entre o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e empresários. Na aeronave, estavam, além de Almeida, Jordana Kfuri Cavendish e o filho Luca, Fernanda Kfuri e o filho Gabriel, a babá Norma Assunção e Mariana Noleto, namorada de Marco Antonio Cabral, filho do governador. 

O governador Sergio Cabral sempre envolto em relações perigosas...
Cabral e Marco Antonio estavam com o grupo, que viajou do Rio para a Bahia em um jato do empresário Eike Batista, para comemorar o aniversário de Fernando Cavendish (marido de Jordana), dono da Delta Construções. Cabral e o filho embarcariam na próxima viagem do helicóptero entre o aeroporto de Porto Seguro e o Jacumã Ocean Resort. Segundo O Globo, a Delta, nascida em Recife, ganhou impulso no Rio ainda no governo Anthony Garotinho e ocupa hoje posição de destaque no orçamento do Estado, com a execução de grandes obras.

Os laços do empresário [Fernando Cavendish]e da Delta com o Estado foram se estreitando nos últimos anos. Se é o “príncipe do PAC” por conta do expressivo número de obras do programa federal que estão na carteira de sua empresa, Cavendish é o rei do Rio, se for considerada a generosa fatia do bolo de recursos do estado que recebeu nos últimos anos ou está prestes a abocanhar, por obras como a reforma do Maracanã ou do Arco Rodoviário, ambas estimadas em R$ 1 bilhão cada. Em 2007, no primeiro ano do governo Cabral, a Delta teve empenhos (recursos reservados para pagamento) no valor total de R$ 67,2 milhões.

No ano passado, o número deu um salto de 655%, para R$ 506 milhões. A oposição na Assembleia Legislativa vai cobrar explicações de Cabral sobre esse relacionamento tão próximo com os empresários. “Não fica bem ele aparecer em festinhas de empreiteiros”, disse o deputado Marcelo Freixo (PSOL), ao Globo. Porém, como bem disse o próprio Freixo, é necessário deixar passar o momento doloroso para essas cobranças. A tragédia pessoal deve ser respeitada, assim como o dever público e a transparência nos negócios do Estado. O governador está de licença do cargo, por motivos particulares.

Liuca Yonaha (ÉPOCA)

segunda-feira, 20 de junho de 2011

BOMBEIROS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO “USAM ARMAS PARA APAGAR FOGO”

 
RIO - Embora revólveres e pistolas não apaguem incêndios, os bombeiros do Rio estão cada vez mais armados. Tropa auxiliar do Exército de acordo com a Constituição federal, eles têm direito ao porte de arma, que é proibido em todo o território nacional, exceto para as Forças Armadas e atividades de segurança pública. No Rio, hoje, 5.068 homens do Corpo de Bombeiros que deveriam estar voltados para o combate ao fogo cadastraram armas de uso pessoal na corporação. Um pequeno exército, que representa um terço do total de 16.550 praças e oficiais do estado.
Pelas normas internas da corporação, um bombeiro no Rio pode ter até três armas - apesar de serem proibidos de usá-las em serviço. Uma de porte, que pode ser um revólver 38 ou uma pistola 380, e duas de caça, sendo uma de alma lisa (espingarda, por exemplo) e outra de alma raiada (carabina). Um policial militar fica limitado a duas armas pessoais de porte (revólveres 22, 32, 38 ou pistolas, que podem ser 0.40 ou 380).
Bombeiros aposentados também cadastram armas
E a fila para a autorização de pedidos de porte de arma não para de crescer. Há ainda 42 bombeiros da ativa e nove inativos aguardando sinal verde do comando. Sim, porque a cultura militar chega aos aposentados: 622 bombeiros vestiram o pijama, mas mantêm armas cadastradas.
Para obter a autorização para andar armado, o bombeiro deve ter bom comportamento e dez anos de serviço. O Corpo de Bombeiros garante que há um controle rigoroso. Se o militar for acusado num processo criminal, perde o porte, e a arma fica acautelada em sua unidade até o término da ação. Ainda segundo o comando do Corpo de Bombeiros, as normas da corporação são as mais restritivas no Estado do Rio.
Em 2008, o secretário de Segurança, José Beltrame, chegou a propor um projeto para restringir o uso de armas por bombeiros, mas a proposta não avançou. Na ocasião, acreditava-se que até 25% da tropa poderiam estar envolvidos em milícias. De acordo com o Corpo de Bombeiros, apenas 16 militares foram ou estão sendo investigados. Desses, oito foram submetidos a processo administrativo disciplinar e excluídos da corporação. Dois morreram e três respondem a processos administrativos.

fonte: O Globo




Especialistas defendem desmilitarização dos bombeiros
Publicada em 18/06/2011 às 20h17m
O Globo
RIO - Para especialistas, a desmilitarização dos bombeiros - frequentemente associados a milícias - é uma necessidade urgente. Na opinião de todos os consultados pelo GLOBO, a rotina militar desvia o foco da atividade fim, além de comprometer a profissionalização e a autonomia. O jurista Hélio Bicudo, que nos anos 90 apresentou um projeto de desmilitarização da tropa quando era deputado federal, considera que a transformação de bombeiros em servidores civis é uma medida óbvia e necessária.
- Por que bombeiro precisa ser militar ou usar armas? É óbvio que não faz sentido. Todo mundo sabe, mas não se faz nada porque não interessa à Polícia Militar, que em alguns lugares comanda os bombeiros, e ao próprio Exército, porque são forças auxiliares - avalia.
Até empresário de arma acha um "erro histórico"
Tratar como urgentes a desmilitarização do Corpo de Bombeiros e o fim da autorização de porte de arma para seus integrantes é consenso. O advogado e oficial da reserva do Exército Fernando Humberto, presidente da Confederação Brasileira de Tiro e Caça do Brasil e empresário da indústria de armamento, afirmou que bombeiro militar e armado é um erro histórico que o país precisa corrigir:
- Defendo que todo cidadão brasileiro tenha o direito de possuir uma arma, mas considero um absurdo a militarização dos bombeiros. Eles deveriam ter só status civil, como acontece em outros países. Bombeiro também não precisa de arma, de andar armado. Precisamos corrigir já esse erro histórico.
O professor de sociologia e pesquisador da área de segurança pública da Universidade de Brasília (UnB), Antônio Flávio Testa, acha absolutamente dispensável o uso de armas por bombeiros.
- Numa sociedade democrática, os bombeiros têm que seguir uma lógica profissional, com gestão autônoma e avaliação de desempenho. É muito importante para o país que se repense toda a estrutura da defesa civil. No Brasil, menos de mil municípios têm corpos de bombeiros. É uma das instituições mais carentes do país - afirma. - Além da questão salarial, há um outro lado que é o problema da identidade dos bombeiros. Nesse aspecto, a desmilitarização seria muito positiva.
O antropólogo Roberto Kant de Lima, professor titular da Universidade Federal Fluminense (UFF) e coordenador do Instituto de Estudos Comparados em Administração Institucional de Conflitos, também acha que os bombeiros deveriam pertencer a uma instituição civil, sem direito ao porte de arma.
- As origens do Corpo de Bombeiros se encontram ligadas à participação solidária de membros da sociedade em casos de acidentes ou catástrofes. Quanto às armas, são prerrogativa de militares, mas não de bombeiros, que deveriam estar acompanhados da devida proteção policial para exercer suas tarefas sem riscos desnecessários - afirmou Kant.
Segundo ele, a sociedade, em virtude dos preconceitos enraizados, considera que o povo é fraco, desorganizado e rústico, e que somente é possível organizá-lo através de hierarquias rígidas e, consequentemente, extremamente repressivas.
- Essa concepção de ordem hierárquica indissociavelmente vinculada à disciplina remete à necessária organização policial-militar e, mais extraordinariamente ainda, aos bombeiros militares. Na minha opinião, é uma visão equivocada.
Pesquisador: armas podem colocar sociedade em risco
Pesquisador do Laboratório de Análise da Violência da Uerj, Ignácio Cano diz que o caráter militar é negativo:
- Os bombeiros, submetidos a uma disciplina militar, não podem se organizar em sindicatos e têm dificuldades para canalizar suas demandas. O fato de portar armas pode ainda colocá-los num risco individual maior, especialmente em áreas de controle de grupos criminosos.
Ainda segundo ele, a sociedade sofre com o risco da proliferação de agentes públicos armados. Armas que não são usadas para protegê-la, mas para fins privados, observa:
- No caso mais extremo, encontramos bombeiros membros de milícias, que usam essas armas para achacar a sociedade.
Apesar da unanimidade em torno do tema, o processo de desmilitarização depende da apresentação de um projeto ao Congresso alterando o texto da Constituição.